Deploy na Sexta #59: Vibe Coding é atalho ou ilusão?
To emocionada surfando no hype
Me empolguei com a evolução das ferramentas de inteligência artificial e estou testando todas e fazendo diversos apps usando vibe coding. Muito divertido! Tu abre o Replit, o Cursor, a Manus, joga uma ideia, a IA cospe o código e, em questão de minutos, tu tem algo rodando na tela. Absurdo, mas não é tão revolucionário quanto parece.
Se a gente for analisar friamente, usar LLMs para programar é só mais um passo na evolução das ferramentas que a gente já usa. É um atalho, tipo aquele framework da moda que abstrai toda a complexidade do HTTP, ou aquela resposta copiada do Stack Overflow que salvava o dia. Funciona? Funciona. Acelera? Muito. Mas não substitui o entendimento do que tá acontecendo ali embaixo.
Eu mesma posto vídeos criando apps num piscar de olhos e, confesso, às vezes posso passar a impressão errada de que é tudo mágica. Mas tratar a IA ou qualquer tecnologia como uma ‘caixa preta’ é perigoso.
Caixa preta, para mim, é quando tu joga um pedido de um lado (o input) e recebe o código pronto do outro (o output), sem fazer a menor ideia do que aconteceu no meio do caminho. É usar um framework sem saber a linguagem por trás, ou rodar um script sem entender os comandos.
O problema de ser esse tipo de desenvolvedor é que tu vira refém do ‘caminho feliz’. Se a IA gerar o código e funcionar de primeira, ótimo, tu é um gênio. Mas e quando der erro? E quando a performance cair? E quando tu precisar integrar com um sistema legado que a IA desconhece?
Esse perfil profissional, que só opera a ferramenta, mas não entende a engenharia, já estava perdendo espaço. Agora, competindo com uma IA que faz o operacional melhor e mais rápido, o espaço vai ficar minúsculo.
Codar via LLM não é fundamentalmente diferente de codar com framework ou copiando snippets da internet. É mais rápido, é mais direto, mas ainda é, potencialmente, apenas um humano adaptando código existente sem pensar muito.
E aqui entra o ponto onde a tua carreira se define: empresas realmente interessantes ainda querem gente que entende os fundamentos.
As LLMs são incríveis para pequenas e médias empresas ou para a gente tirar aquele MVP do papel num fim de semana. Elas ajudam quem não é técnico a “se virar”. Mas quando a coisa cresce? Quando o banco de dados começa a gargalar porque a query gerada pela IA não foi indexada? Quando a aplicação precisa escalar para milhares de usuários e o custo da nuvem explode por causa de código ineficiente? Nessa hora, a “vibe” acaba e a engenharia começa.
Alguém vai precisar saber como um servidor web realmente funciona. Alguém vai precisar entender de concorrência, de gerenciamento de memória, de design patterns reais (e não alucinados). O spoiler é: esse alguém tem que ser tu.
O mercado de tecnologia sempre caminhou para reduzir a necessidade de contratar desenvolvedores para resolver problemas simples. A IA faz parte dessa marcha. Mas os problemas complexos, os sistemas críticos e as arquiteturas que sustentam o mundo digital não vão sumir. Pelo contrário: se mais gente está gerando código automático sem base, mais estresse vamos ter nos sistemas que dependem de fundamentos sólidos.
Então, o meu conselho de quem tá usando e abusando dessas ferramentas: continua usando. Sério, é divertido e produtivo. Mas não deixa a facilidade te enganar. Não deixa de estudar como um banco de dados funciona por dentro, como o sistema operacional gerencia processos ou como arquitetar uma solução robusta.
Usa o atalho para ganhar tempo, mas usa esse tempo extra para estudar o que a IA não consegue resolver sozinha. É isso que vai garantir que tu não sejas apenas um “operador de prompt”, mas sim quem constrói as ferramentas robustas e tem espaço no mercado.
💡 Indicações da semana
Já que estamos falando de IA, esse filme explora a evolução humana e a tecnologia em quatro atos que acompanham a humanidade desde os primórdios até uma jornada espacial. Nessa jornada, rola um conflito com uma inteligência artificial projetada para ser perfeita. Vou parar meu resumo por aqui antes que eu dê spoilers, porque é um dos meus filmes favoritos.
🧠 A newsletter de hoje foi inspirada no artigo em inglês de Phil Eaton, que traz essa mesma reflexão e conclusão LLMs and your career.
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📽️ Deploy na Sexta agora também é um quadro do YouTube. Transformei o artigo “#41: Tatuagens atrapalham no mercado de trabalho?” em vídeo para começar a criar conteúdo em uma nova plataforma.
Esta edição levou 03:30 minutos para ficar pronta e eu acho que estou falando muito de IA, mas estou realmente fissurada no assunto.
Nos encontramos no próximo deploy, quinzenalmente, às sextas-feiras, às 6h. 🖖


Esse é um dos melhores posts que já vi nessa rede, parabéns!
Ainda tô travado em…como utilizar a IA sem ser da maneira caixa preta e mesmo assim ganhar velocidade.