Deploy na Sexta 62: Pare de fugir das frustrações na programação
e passe a evoluir na carreira
Tem um momento na programação que quase ninguém mostra quando fala da área. Não é o momento em que o projeto funciona, nem quando a interface fica bonita, nem quando finalmente dá tudo certo e tu sente orgulho do que construiu. É o momento em que nada responde como deveria, o código quebra e uma alteração pequena gera um efeito colateral ridículo. Nessa hora, e não nas vitórias, que muita gente começa a duvidar de si. Porque o problema da frustração na programação nunca foi só técnico. Ela mexe com ego, com expectativa, com comparação e, principalmente, com a ideia de competência. Quase todo iniciante, em algum momento, deixa de pensar “não entendi isso ainda” para pensar “talvez eu não seja capaz de entender isso”.
Com o tempo, eu entendi uma coisa que hoje parece óbvia, mas que, no início, fez muita falta: programação é uma profissão em que o erro aparece o tempo todo de forma explícita, e programar é, no fim das contas, conviver com a frustração. O código não roda, um bug bizarro aparece do nada e parece que absolutamente nada faz sentido na tua tela. E aí, o que a maioria faz na hora do desespero? Foge. Troca de tecnologia, começa um curso novo do zero ou simplesmente abandona o projeto. Eu fiz isso, tá? Já deixei de aprender algumas coisas porque o problema parecia difícil demais para mim e, por isso, eu achava que era incapaz de trabalhar com tecnologia.
Mas, com a vivência, a gente vai entendendo uma lógica muito simples: se algo está absurdamente difícil de entender, não é porque seja impossível ou porque não nascemos para isso. É porque, muito provavelmente, faltou um conhecimento antes. Faltou um degrau ali na tua base.
Para mim, tentar evitar o desconforto a todo custo é como acreditar que o aprendizado tem que ser sempre rápido e indolor, o que não é verdade. O que funciona é a paciência de dar um passo para trás. É sentar, tomar um café, aceitar que tu não vais saber resolver de primeira. Aprender a suportar esse desconforto de não ter a resposta na hora é o que realmente constrói a nossa casca no dia a dia, sem precisar surtar ou querer largar tudo toda vez que o código quebra.
Minha maior dica para quem está começando agora é parar de olhar para o erro como uma ofensa pessoal ou um atestado de incapacidade. O erro é, na verdade, um sinalizador. Ele está te dizendo exatamente onde o teu conhecimento atual termina e onde a tua próxima evolução começa.
A senioridade, para mim, tem a ver com a capacidade de sustentar o desconforto antes de encontrar a solução. Um desenvolvedor experiente, além do repertório, é alguém que já quebrou a cara tantas vezes que o erro perdeu o poder de assustar, desmotivar ou causar ansiedade. Um erro passa a ser só mais um dia normal.
Talvez o problema não seja o código em si, mas algum conceito de orientação a objetos ou a forma como os dados fluem, que ficou para trás. Parar os estudos avançados para voltar à base e fortalecer o alicerce não é derrota, é estratégia. Muitas vezes, como programadora júnior, eu voltei e retomei meus estudos do zero só para revisar. É muito melhor gastar três dias fortalecendo a base do que passar três meses batendo a cabeça em ferramentas avançadas que tu não entendes como funcionam por baixo dos panos.
Então quando o desafio aparecer, em vez de pensar “eu não nasci pra isso”, tenta pensar: “o que eu preciso aprender para vencer isso?”. Essa mudança de perspectiva transformou minha frustração em curiosidade.
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Esta edição levou 03:08 minutos para ficar pronta. Admito que tenho falhado na frequência da newsletter. Troquei de emprego recentemente e, até entrar no ritmo novo e pegar o fluxo das coisas cansa bastante né?
Nos encontramos no próximo deploy, se eu tiver forças quinzenalmente, às sextas-feiras, às 6h. 🖖


ótimo!!