Deploy na Sexta #63: Como procurar estágio em tecnologia?
Um papo com quem ta começando seu curso em tecnologia
Meu primeiro estágio na área de tecnologia foi no segundo semestre da faculdade. Eu lembro bem porque, naquela época, eu ainda estava tentando entender se existia emprego de verdade com tecnologia ou se aquilo era só uma “profissão do futuro” que todo mundo comentava. Eu não conhecia ninguém que trabalhasse na área, não tinha uma referência próxima e também não fazia ideia de como alguém saía da faculdade e entrava, de fato, no mercado.
A vaga apareceu de um jeito muito menos glamouroso do que qualquer post de LinkedIn faria parecer: alguém viu o processo seletivo no jornal, a informação chegou até a minha família que me passou, eu fiz a inscrição, estudei, fui fazer a prova, passei e a vaga foi minha.
E talvez essa seja uma parte importante da história, porque muita gente se elimina antes mesmo de tentar. Conheço pessoas que leem a descrição da vaga, encontram uma linguagem que ainda não dominam, uma ferramenta que nunca usaram ou uma empresa que parece grande demais, e concluem: “ainda não estou pronto”. Só que estágio existe justamente para quem ainda está aprendendo. Tu não precisa chegar sabendo tudo. Tu precisa ter uma base, entender o processo e se colocar em movimento.
Existem alguns requisitos, é claro. Antes de sair se candidatando para tudo, tu precisa entender que estágio envolve uma instituição de ensino e precisa ter relação com a tua formação. Na prática, isso significa estar matriculado e frequentando uma instituição que possa participar desse processo, como faculdade, tecnólogo, curso técnico ou pós-graduação.
Por isso, o primeiro passo é entrar no portal da tua instituição e procurar as regras de estágio. Vê se existe setor de estágios, coordenação responsável, mural de vagas ou portal de carreiras. Algumas instituições liberam estágio desde os primeiros semestres; outras só assinam a partir de determinado período. Algumas são mais rígidas com a relação entre curso e atividade; outras são mais flexíveis. Parece burocrático, mas evita uma frustração bem chata: passar em uma vaga e descobrir depois que a tua instituição não assina aquele estágio.
Também vale entender o básico do contrato. A sigla que tu provavelmente vai encontrar é TCE, o Termo de Compromisso de Estágio. É ali que aparecem carga horária, valor da bolsa, auxílio-transporte, período do contrato, atividades, dados da empresa, dados da instituição e supervisor responsável. No estágio não obrigatório, bolsa ou alguma forma de contraprestação e auxílio-transporte são obrigatórios. E, para a maioria de quem faz faculdade ou curso técnico, a jornada mais comum é de até 6 horas por dia e 30 horas semanais. Então lê o documento antes de assinar.
Passada a parte burocrática, vem a pergunta prática: onde procurar estágio em tecnologia? O primeiro lugar é a tua própria instituição. Muita vaga boa nem chega no LinkedIn porque a empresa manda direto para a faculdade. O segundo são os agentes de integração, como o CIEE e outros que variam por cidade e região. Faz cadastro, preenche teu perfil direito, coloca curso, disponibilidade, cidade e área de interesse. Perfil abandonado não trabalha por ti.
Depois vem o LinkedIn, que todo mundo já conhece, e os sites das próprias empresas. E aqui entra uma parte chata, mas eficiente: garimpo. Faz uma lista de empresas onde tecnologia pode ser importante. Não coloca só empresa de software. Banco tem tecnologia. Cooperativa tem tecnologia. Hospital tem tecnologia. Universidade tem tecnologia. Indústria, varejo, logística e empresas médias da tua cidade também podem ter área de TI, suporte, dados, sistemas internos ou desenvolvimento.
Às vezes, tua primeira vaga não vai estar em uma startup hypada cheia de puff colorido. Pode estar em uma empresa tradicional, mexendo com sistema interno, ajudando usuário, entendendo fluxo de trabalho e vendo problema real acontecer. E tudo bem. Experiência real é experiência real. O primeiro estágio não precisa ser a vaga perfeita. Ele precisa te colocar em contato com o mercado.
Outra trava comum aparece no currículo. Se tu não tem experiência, o que colocar na parte de experiência? Para estágio, teu currículo precisa responder rápido algumas perguntas: qual curso tu faz, em qual instituição, em qual semestre está, qual tua previsão de conclusão, qual tua disponibilidade, quais tecnologias tu realmente conhece e quais projetos tu consegue explicar em uma entrevista. Pode colocar projeto acadêmico, projeto pessoal e experiências anteriores fora da área que demonstrem responsabilidade, comunicação ou disciplina. Só não inventa. Em estágio, ninguém deveria esperar cinco anos de experiência. Mas a empresa precisa perceber que tu tem base, honestidade e capacidade de aprender.
Quando o processo seletivo começa, ele pode ser bem simples ou bem formal. Alguns estágios têm currículo, entrevista e talvez um teste técnico pequeno. Outros, principalmente em empresas grandes, podem ter edital, prova, teste de lógica, português, matemática, inglês, conhecimentos gerais, tecnologia, dinâmica e entrevista. Se tiver edital, teu primeiro estudo é o edital. Parece óbvio, mas muita gente perde vaga porque não leu direito: perde prazo, não envia documento, estuda assunto errado ou descobre tarde demais que não podia participar.
Na entrevista, a lógica é parecida: preparação simples e honesta. Pesquisa o que a empresa faz, revisa a vaga e prepara uma apresentação curta sobre ti. E, quando perguntarem algo que tu não sabe, não inventa. Estagiário pode não saber. O problema não é não saber; é fingir que sabe.
Também não espera estar completamente pronto para se candidatar. Se tu esperar essa sensação mágica de prontidão, talvez só comece na aposentadoria. Tu precisa ter alguma base, claro. Mas estágio é justamente o lugar onde tu vai transformar base em experiência. O pior que pode acontecer é um não, e o não faz parte do processo.
Eu fiz vários estágios, e nenhum deles veio porque eu era uma gênia da tecnologia. Vieram porque eu prestei atenção no processo, estudei o que precisava, fiz prova, mandei currículo e me coloquei em movimento. Meu primeiro estágio também não definiu o resto da minha vida. Ele me deu vivência. Me mostrou como empresa funciona, como tarefa chega, como reunião acontece, como sistema quebra, como usuário pede coisa estranha e como documentação faz falta. Faculdade ensina muita coisa, curso ensina muita coisa, projeto pessoal ensina muita coisa. Mas empresa te dá contexto.
Então, quando tu olhar para uma vaga e pensar “eu ainda não estou pronto”, troca a pergunta. Em vez de tentar descobrir se tu já sabe tudo que aquela vaga pede, pergunta: “eu tenho base suficiente para tentar e disposição suficiente para aprender?”. Essa resposta costuma abrir mais portas do que a busca infinita pela preparação perfeita.
💡 Indicações da semana
Dessa vez, a dica é para quem gosta de programar com música de fundo. Encontrei um canal com mixes de R&B do fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, daquele tipo que não briga com teu foco, mas deixa o ambiente mais gostoso para codar. Se tu curte essa vibe mais nostálgica, acho que vai gostar.
📖 Engenharia de IA: minha dica de leitura para quem quer entender como transformar modelos de IA em aplicações reais, passando por prompt, RAG, agentes, avaliação e deploy sem ficar só no hype.
🧠 Embaixadora na Alura: Agora sou embaixadora da Alura e tenho condições especiais para quem quer estudar tecnologia com trilhas guiadas, incluindo backend com .NET. Para usar, é só aplicar o cupom SPACECODING.
📹Canal do Youtube: Estou levando o Deploy na Sexta para o YouTube. A ideia continua a mesma: falar sobre carreira, tecnologia e os perrengues de quem está começando, só que agora também em vídeo.
Esta edição levou 03:18 minutos para ficar pronta. Admito que tenho falhado na frequência da newsletter. Troquei de emprego recentemente e, até entrar no ritmo novo e pegar o fluxo das coisas cansa bastante né?
Nos encontramos no próximo deploy, se eu der conta quinzenalmente, às sextas-feiras, às 6h. 🖖

